segunda-feira, 12 de maio de 2014

Estamos na DÉCIMA parte...já não falta muito para sabermos com Alex se tornou Alexandra...

  Alex sabia que a sua história com Ramiro tinha de tomar um rumo fosse ele em direção a um prazenteiro jardim ou  a um abismo agreste ... Pensar nisso era muito doloroso, por isso Alex começou a ver ou a ler  tudo quanto era comédia: em filmes, em séries televisivas, em peças de teatro, em livros humorísticos, em BD para crianças e adolescentes, em programas de rádio. Tinha de anestesiar a sua mente para não pensar. E que tarefa hercúlea essa, a de não pensar! Se não pensarmos o que vamos nós fazer?  Não dizia o conhecido filósofo "Penso, logo existo"? Como existiria Alex, se não queria pensar? Isso equivalia a não existir. Mas para quê existir, se a sua vida era, naquele momento, um caos ? Alex tomou firmemente a decisão de não pensar para absorver apenas  o que há de mais cômico na existência, aproveitar o lado galhofeiro e divertido da imaginação para não encarar a sua própria vida.
  Quanto à sua irmã, Irene, esta de nada suspeitava. Quer dizer, sabia daquela espécie de namoro (Irene pensava que eles efetivamente namoravam), mas não sabia de nenhum pedido de casamento em suspenso. Alex e Irene não eram irmãs muito próximas, não partilhavam segredos, só a mesma casa e algumas refeições e, de vez em quando, a televisão ; trocavam breves impressões sobre aspetos banais do quotidiano, tinham alguns gostos musicais semelhantes, mas nada mais do que isto. Daí não haver lugar para invejas ou ressentimentos. Ninguém via rivalidades ou intromissões  na vida pessoal de cada uma. Tudo parecia passar à margem da sua vida em comum. Assim, menos um problema para Alex...que alívio tão reconfortante e compatível com a aquela alienação intencional  que se instalara !
  Entretanto, Ramiro parecia ter tomado uma decisão: Katmandu. Aconteceu-lhe sonhar com a palavra. Ou ouviu-a, de manhã, nas notícias que o despertavam bem cedo e a palavra não saiu da sua cabeça, durante dias. Os mesmo dias em que não viu, não telefonou, não enviou nenhuma mensagem por telemóvel ou Facebook para Alex. Nada. Só uma procura frenética na internet sobre a geografia, a localização, a comida, os costumes, os lugares onde comer em Katmandu. Como chegar e onde ficar. E, também, pensou, pois Ramiro escolheu pensar e muito, na forma como havia de rejeitar aquele pedido de casamento. 
   Finalmente, a decisão estava tomada: não haveria casamento, nem namoro, nem relação assumida. Tudo se tinha passado ao contrário do que seria a ordem natural das coisas, por isso, era um péssimo presságio para os acontecimentos futuros. Ramiro era muito supersticioso e, em sua opinião de homem avisado, tudo aquilo parecia contra natura. Cabia-lhe a si por um ponto final parágrafo, mudança de linha naquela história às avessas. E partir para Katmandu!

1 comentário:

  1. Cheguei! Este cantinho prometo agradáveis leituras e apela a reflexões de qualidade. Cá estarei, atenta ao desenvolvimento de uma mente brilhante. Lena

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