Quando as palavras saem de nós, voam, ganham alma, são forças geradoras de novas vidas. Por isso, elas fascinam-me enquanto aliadas poderosas que conspiram a favor da nossa felicidade.
domingo, 25 de maio de 2014
Chegamos ao CAPÍTULO CATORZE e a história parece que nunca mais acaba...mas já não falta muito...
Ramiro rumou para o Sul e não se dirigiu para o lado mais frequentado do Algarve. Preferiu um local afastado da praia. Podia ver o céu eternamente azul, o mar sem fim e o extenso areal, porém, para aí chegar era necessário descer uma ravina e atravessar uma ria. Aqueles obstáculos naturais que o impediam de alcançar a praia de forma rápida levaram-no a escolher precisamente aquele lugar.
Era uma aldeia altaneira construída em torno de uma fortaleza de origens árabes. Um lugar de ruas estreitas e difíceis de contornar pelos carros. As casas brancas e baixas tinham janelas abertas que deixavam ver cortinados finos e ondulantes a dançar. Ouvia-se música suave que lembrava as sonoridades do fado e cheirava a sol e a maresia por todo lado. Depois de uma volta, mesmo em passo lento, estava tudo visto e apreciado. Podia passar-se à localidade seguinte. Mesmo assim quis ficar.
Observava os dois restaurantes típicos, conhecidos nas redondezas pelas iguarias saborosas cozinhadas com primor e perfeição, onde famílias de outras zonas algarvias vinham comer. Crianças felizes e ruidosas enchiam o ar com os seu gritinhos e risadas. Era obrigatório ir até ao forte e ler as inscrições sobre a História do local que incluía a breve biografia de um poeta árabe que lá teria vivido nos tempos da ocupação muçulmana. Ramiro gostava de ficar por ali, sentado, alternando o olhar entre o mar, a fortaleza, agora ocupada por outras forças, as policiais, do século XXI, visitantes distraídos que, antes das refeições, ocupavam o tempo fingindo desfrutar de um programa cultural em família, e os gatos gordos e sonolentos que passeavam indiferentes aos humanos, fossem eles forasteiros ou indígenas.
Foi numa dessas contemplações que foi surpreendido por Ondina que fixava o mar como se esperasse ver uma embarcação no horizonte trazendo, sabe-se lá, um grupo de piratas, um tesouro ou o seu amor marinheiro.... Era impossível desviar o olhar daquela mulher alta, vestida e maquilhada de forma peculiar: saia comprida de tecido leve, blusa de renda com os ombros à mostra, olhos bem delineados e sombreados a preto, lábios pintados de um vermelho tão brilhante que pareciam molhados.
Assim que falou, Ramiro ficou maravilhado. A voz não era melodiosa, mas era profunda como se viesse de alguma gruta marinha e se tivesse misturado com o som suave das ondas a bater nas rochas. Não conseguia explicar porquê, mas aquela mulher parecia ser uma espécie de guardiã daquele lugar, pelo porte altivo e olhar seguro com que enfrentava a brisa que despenteava os seus longos cabelos lisos. Por momentos, parecia uma estátua direita, prefeita e eterna. Depois, olhou para ele. Ramiro esqueceu Irene, esqueceu Alex e ficou mais próximo do amor do que alguma vez estivera.
terça-feira, 20 de maio de 2014
Simplesmente, capítulo TREZE...
Em plena luz do dia, na Ribeira, de frente para o Douro e para a ponte D. Luís, no meio dos turistas tagarelas e animados pelo sol e pelo ambiente caloroso do Norte, o seu olhar fixou-se num homem alto, de porte altivo e imponente. Usava óculos escuros e o seu cabelo negro e curto estava bem penteado. A camisa branca e impecável e as calças escuras denunciavam a farda de motorista, certamente, de um autocarro que teria trazido alguns daqueles estrangeiros que não paravam de fotografar as casas, os barcos, o rio, a outra margem e que compravam lembranças emblemáticas daquela zona típica. Olhava pacientemente em todas as direções com uma segurança tal que dominava todo aquele cenário. Uma espécie de senhor poderoso que controlava o espaço só com o olhar e a presença.
Graças à falta de discrição de Alex, ele olhou para ela e esta, apesar de envergonhada, não desviou o olhar. Manteve-se firme em jeito de desafio: quem podia adivinhar até onde aquele confronto iria levá-la?
Ele caminhou na sua direção e o coração dela batia desordenadamente. Ao mesmo tempo, parecia sentir um perfume intenso que a envolvia como que num forte abraço e que lhe travava o fluxo dos pensamentos.
- Anda perdida?
-Sim!- foi a sinceridade a responder. Se estivesse realmente consciente e em pleno uso das suas faculdades mentais, seria outra a resposta.
Sem saber como, deu por si num simpático café a conversar com aquele estranho que exercia sobre si um fascínio mágico. Tudo à sua volta parecia parado ou, na melhor das hipóteses, a movimentar-se em camara lenta. Ouvia ruídos de fundo, via vultos indistintos, pois a voz e a figura daquele homem sobrepunha-se tudo o resto. Nada mais interessava a não ser aquele inusitado encontro onde falaram de histórias engraçadas de turistas deslumbrados. Não puderam conversar muito mais, porque era chegada a hora de levar os seus passageiros para outo lugar. Porém, trocaram números de telemóvel para voltarem a encontrar-se.
Enquanto ele se afastava, Alex sentiu a cabeça a andar à roda e uma tristeza quase insuportável começava a estender um manto sombrio sobre o seu coração. Ansiava pela noite, altura propícia para lhe telefonar. Não foi preciso: por volta das sete da tarde, Celestino (era este o estranho nome do rapaz, parece que em homenagem a um tio -avô que morreu jovem, logo depois de casar) telefonou-lhe para a convidar para jantar...num restaurante típico da Ribeira.
Estranhamente, a imagem de Ramiro desapreceu da sua mente. Ramiro? Qual Ramiro?
Em plena luz do dia, na Ribeira, de frente para o Douro e para a ponte D. Luís, no meio dos turistas tagarelas e animados pelo sol e pelo ambiente caloroso do Norte, o seu olhar fixou-se num homem alto, de porte altivo e imponente. Usava óculos escuros e o seu cabelo negro e curto estava bem penteado. A camisa branca e impecável e as calças escuras denunciavam a farda de motorista, certamente, de um autocarro que teria trazido alguns daqueles estrangeiros que não paravam de fotografar as casas, os barcos, o rio, a outra margem e que compravam lembranças emblemáticas daquela zona típica. Olhava pacientemente em todas as direções com uma segurança tal que dominava todo aquele cenário. Uma espécie de senhor poderoso que controlava o espaço só com o olhar e a presença.
Graças à falta de discrição de Alex, ele olhou para ela e esta, apesar de envergonhada, não desviou o olhar. Manteve-se firme em jeito de desafio: quem podia adivinhar até onde aquele confronto iria levá-la?
Ele caminhou na sua direção e o coração dela batia desordenadamente. Ao mesmo tempo, parecia sentir um perfume intenso que a envolvia como que num forte abraço e que lhe travava o fluxo dos pensamentos.
- Anda perdida?
-Sim!- foi a sinceridade a responder. Se estivesse realmente consciente e em pleno uso das suas faculdades mentais, seria outra a resposta.
Sem saber como, deu por si num simpático café a conversar com aquele estranho que exercia sobre si um fascínio mágico. Tudo à sua volta parecia parado ou, na melhor das hipóteses, a movimentar-se em camara lenta. Ouvia ruídos de fundo, via vultos indistintos, pois a voz e a figura daquele homem sobrepunha-se tudo o resto. Nada mais interessava a não ser aquele inusitado encontro onde falaram de histórias engraçadas de turistas deslumbrados. Não puderam conversar muito mais, porque era chegada a hora de levar os seus passageiros para outo lugar. Porém, trocaram números de telemóvel para voltarem a encontrar-se.
Enquanto ele se afastava, Alex sentiu a cabeça a andar à roda e uma tristeza quase insuportável começava a estender um manto sombrio sobre o seu coração. Ansiava pela noite, altura propícia para lhe telefonar. Não foi preciso: por volta das sete da tarde, Celestino (era este o estranho nome do rapaz, parece que em homenagem a um tio -avô que morreu jovem, logo depois de casar) telefonou-lhe para a convidar para jantar...num restaurante típico da Ribeira.
Estranhamente, a imagem de Ramiro desapreceu da sua mente. Ramiro? Qual Ramiro?
sábado, 17 de maio de 2014
Poderíamos estar a chegar ao fim.. parte doze , CAPÍTULO DÉCIMO SEGUNDO, mas não sei se por superstição ou porque a história ainda vai sofrer algumas reviravoltas, vamos continuar.
Ramiro não chegou a partir para Katmandu. Passada a euforia e o entusiasmo iniciais, partilhou esta intenção com o seu amigo mais chegado, Miguel, que logo tratou de lhe mostrar que esta era uma ideia absolutamente disparatada.
- Se queres esquecer o assunto, não precisas de ir até ao fim do mundo, neste caso, o teto do mundo, pois nem lá te vais livrar do sentimento de culpa por magoares a Alex.
- Mas eu também preciso de um tempo só para mim, para saber o que quero. Preciso de encontrar uma solução para a minha vida. Só, sem a interferência de ninguém.
Ramiro falava pausadamente como se receasse estar a falar de um assunto tão complexo perante uma criança com dificuldade em entender um adulto.
- Ouve, isso já parece conversa de gaja...como daqueles programas feitos para elas, tipo moda e autoajuda. Se te queres encontrar, podes fazê-lo aqui mesmo. Em Portugal, não faltam lugares calmos e afastados de tudo... e sai-te muito mais barato. Parece que estás a querer arranjar uma desculpa para ir passear.
Ramiro lançou-lhe um olhar ofendido. Como podia ele falar de desculpa e passeio, tudo junto, na mesma frase?
- Há lugares únicos e só lá, em contacto com a pureza do mundo, é que consegues alguma paz de espírito, que é coisa que não tenho neste momento.
- Não parece que esta cena do casamento te tire o sono. Em contrapartida, estás a psair-me cá um poeta...pureza do mundo, hein?- Miguel olhou-o de lado em jeito de provocação, tentava diminuir a importância das coisas para espicaçar o ânimo do amigo.
- Não, não me tira o sono, mas tenho pensado muito no assunto e ando preocupado. Tenho de dizer Não à Alex e isso não é fácil.
- Mas o que eu estou a dizer é que não é necessário ir para Katmandu como pretexto para fugires à ideia , só estou a falar da ideia de casamento...Fazes isso mesmo aqui, em casa e acabas com essa chatice de uma vez por todas.
-Talvez tenhas razão. Vou uns dias até ao Algarve e quando regressar, falo com ela e ponho tudo em pratos limpos.-
Ramiro estava evidentemente nervoso por renegar a sua ideia, por não ter argumentos suficientemente poderosos para sustentar a sua fuga do país. Só lhe restava apresentar uma alternativa que não fosse humilhante perante si próprio, uma cedência perante as evidências apresentadas pelo amigo.
Ramiro não chegou a partir para Katmandu. Passada a euforia e o entusiasmo iniciais, partilhou esta intenção com o seu amigo mais chegado, Miguel, que logo tratou de lhe mostrar que esta era uma ideia absolutamente disparatada.
- Se queres esquecer o assunto, não precisas de ir até ao fim do mundo, neste caso, o teto do mundo, pois nem lá te vais livrar do sentimento de culpa por magoares a Alex.
- Mas eu também preciso de um tempo só para mim, para saber o que quero. Preciso de encontrar uma solução para a minha vida. Só, sem a interferência de ninguém.
Ramiro falava pausadamente como se receasse estar a falar de um assunto tão complexo perante uma criança com dificuldade em entender um adulto.
- Ouve, isso já parece conversa de gaja...como daqueles programas feitos para elas, tipo moda e autoajuda. Se te queres encontrar, podes fazê-lo aqui mesmo. Em Portugal, não faltam lugares calmos e afastados de tudo... e sai-te muito mais barato. Parece que estás a querer arranjar uma desculpa para ir passear.
Ramiro lançou-lhe um olhar ofendido. Como podia ele falar de desculpa e passeio, tudo junto, na mesma frase?
- Há lugares únicos e só lá, em contacto com a pureza do mundo, é que consegues alguma paz de espírito, que é coisa que não tenho neste momento.
- Não parece que esta cena do casamento te tire o sono. Em contrapartida, estás a psair-me cá um poeta...pureza do mundo, hein?- Miguel olhou-o de lado em jeito de provocação, tentava diminuir a importância das coisas para espicaçar o ânimo do amigo.
- Não, não me tira o sono, mas tenho pensado muito no assunto e ando preocupado. Tenho de dizer Não à Alex e isso não é fácil.
- Mas o que eu estou a dizer é que não é necessário ir para Katmandu como pretexto para fugires à ideia , só estou a falar da ideia de casamento...Fazes isso mesmo aqui, em casa e acabas com essa chatice de uma vez por todas.
-Talvez tenhas razão. Vou uns dias até ao Algarve e quando regressar, falo com ela e ponho tudo em pratos limpos.-
Ramiro estava evidentemente nervoso por renegar a sua ideia, por não ter argumentos suficientemente poderosos para sustentar a sua fuga do país. Só lhe restava apresentar uma alternativa que não fosse humilhante perante si próprio, uma cedência perante as evidências apresentadas pelo amigo.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Na DÉCIMA PRIMEIRA PARTE, os acontecimentos se simplifiquem... aqui vamos nós outra vez...
Alex percebeu que a falta de notícias era mau sinal, muito mau sinal. Ela sentia que Ramiro estava encurralado e assustado e, por isso, fugiria dela com todas as forças que tivesse. Mas, se possível, de forma discreta, seria uma brisa naturalmente invisível que passaria sem incomodar.
Então, seria a vez dela de fugir: fugir de casa para não enfrentar Irene, apesar da sua ignorância sobre o assunto, fugir da sua rua para não encarar os amigos e conhecidos e o seu olhar de comiseração ou de censura, fugir de si própria para não passar a vida a lamentar-se por ter revelado tanto de si ao ser amado.
Era uma mulher corajosa, não sentia remorsos ou arrependimento em relação ao que tinha feito. No entanto, corava de vergonha ao ter assumido um papel tão preponderante, por ter tomado a iniciativa que poucos esperam de uma mulher. Por ter ousado.
Decidiu passar uma semana de férias e iria passear até ao Porto. Porquê o Porto? Não sabia bem, mas talvez fosse por ser uma cidade grande, cosmopolita com muitos motivos de distração onde poderia perder-se dos seus pensamentos, esconder-se das angústias que desabavam sobre a sua paz interior. Estava pronta para partir e cerrar com chave pesada de ferro essa história precipitada ou mal pensada, ela nem sabia.
O que ela não desconfiava era de como era parecida com Ramiro: ambos tomavam atitudes repentinas, sem descortinar o como ou o porquê. Essas atitude impulsivas aproximavam-nos, eram o cerne dessa inexplicável atração.
Mesmo assim, Alex não o culpava pela sua ausência. Muito pelo contrário, aquela indecisão e cobardia ainda faziam com que, estupidamente, o amasse mais. Como se uma onda gigantesca de ternura tomasse conta de si e lhe desse vontade de o abraçar, acariciar, beijar. O que não faria, pois ia passar uns dias ao Porto. O seu sentido prático tornou-a rápida.
O ser humano é mesmo um grande mistério em si e para si mesmo. Nunca iremos conseguir entender o lado sentimental dos homens... nem das mulheres. No meio de toda esta incompreensão, há finais felizes de histórias sem peripécias, sem coadjuvantes ou oponentes; mas essas acontecem com alguns iluminados que veem para além da emoção.
Alex percebeu que a falta de notícias era mau sinal, muito mau sinal. Ela sentia que Ramiro estava encurralado e assustado e, por isso, fugiria dela com todas as forças que tivesse. Mas, se possível, de forma discreta, seria uma brisa naturalmente invisível que passaria sem incomodar.
Então, seria a vez dela de fugir: fugir de casa para não enfrentar Irene, apesar da sua ignorância sobre o assunto, fugir da sua rua para não encarar os amigos e conhecidos e o seu olhar de comiseração ou de censura, fugir de si própria para não passar a vida a lamentar-se por ter revelado tanto de si ao ser amado.
Era uma mulher corajosa, não sentia remorsos ou arrependimento em relação ao que tinha feito. No entanto, corava de vergonha ao ter assumido um papel tão preponderante, por ter tomado a iniciativa que poucos esperam de uma mulher. Por ter ousado.
Decidiu passar uma semana de férias e iria passear até ao Porto. Porquê o Porto? Não sabia bem, mas talvez fosse por ser uma cidade grande, cosmopolita com muitos motivos de distração onde poderia perder-se dos seus pensamentos, esconder-se das angústias que desabavam sobre a sua paz interior. Estava pronta para partir e cerrar com chave pesada de ferro essa história precipitada ou mal pensada, ela nem sabia.
O que ela não desconfiava era de como era parecida com Ramiro: ambos tomavam atitudes repentinas, sem descortinar o como ou o porquê. Essas atitude impulsivas aproximavam-nos, eram o cerne dessa inexplicável atração.
Mesmo assim, Alex não o culpava pela sua ausência. Muito pelo contrário, aquela indecisão e cobardia ainda faziam com que, estupidamente, o amasse mais. Como se uma onda gigantesca de ternura tomasse conta de si e lhe desse vontade de o abraçar, acariciar, beijar. O que não faria, pois ia passar uns dias ao Porto. O seu sentido prático tornou-a rápida.
O ser humano é mesmo um grande mistério em si e para si mesmo. Nunca iremos conseguir entender o lado sentimental dos homens... nem das mulheres. No meio de toda esta incompreensão, há finais felizes de histórias sem peripécias, sem coadjuvantes ou oponentes; mas essas acontecem com alguns iluminados que veem para além da emoção.
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Estamos na DÉCIMA parte...já não falta muito para sabermos com Alex se tornou Alexandra...
Alex sabia que a sua história com Ramiro tinha de tomar um rumo fosse ele em direção a um prazenteiro jardim ou a um abismo agreste ... Pensar nisso era muito doloroso, por isso Alex começou a ver ou a ler tudo quanto era comédia: em filmes, em séries televisivas, em peças de teatro, em livros humorísticos, em BD para crianças e adolescentes, em programas de rádio. Tinha de anestesiar a sua mente para não pensar. E que tarefa hercúlea essa, a de não pensar! Se não pensarmos o que vamos nós fazer? Não dizia o conhecido filósofo "Penso, logo existo"? Como existiria Alex, se não queria pensar? Isso equivalia a não existir. Mas para quê existir, se a sua vida era, naquele momento, um caos ? Alex tomou firmemente a decisão de não pensar para absorver apenas o que há de mais cômico na existência, aproveitar o lado galhofeiro e divertido da imaginação para não encarar a sua própria vida.
Quanto à sua irmã, Irene, esta de nada suspeitava. Quer dizer, sabia daquela espécie de namoro (Irene pensava que eles efetivamente namoravam), mas não sabia de nenhum pedido de casamento em suspenso. Alex e Irene não eram irmãs muito próximas, não partilhavam segredos, só a mesma casa e algumas refeições e, de vez em quando, a televisão ; trocavam breves impressões sobre aspetos banais do quotidiano, tinham alguns gostos musicais semelhantes, mas nada mais do que isto. Daí não haver lugar para invejas ou ressentimentos. Ninguém via rivalidades ou intromissões na vida pessoal de cada uma. Tudo parecia passar à margem da sua vida em comum. Assim, menos um problema para Alex...que alívio tão reconfortante e compatível com a aquela alienação intencional que se instalara !
Entretanto, Ramiro parecia ter tomado uma decisão: Katmandu. Aconteceu-lhe sonhar com a palavra. Ou ouviu-a, de manhã, nas notícias que o despertavam bem cedo e a palavra não saiu da sua cabeça, durante dias. Os mesmo dias em que não viu, não telefonou, não enviou nenhuma mensagem por telemóvel ou Facebook para Alex. Nada. Só uma procura frenética na internet sobre a geografia, a localização, a comida, os costumes, os lugares onde comer em Katmandu. Como chegar e onde ficar. E, também, pensou, pois Ramiro escolheu pensar e muito, na forma como havia de rejeitar aquele pedido de casamento.
Finalmente, a decisão estava tomada: não haveria casamento, nem namoro, nem relação assumida. Tudo se tinha passado ao contrário do que seria a ordem natural das coisas, por isso, era um péssimo presságio para os acontecimentos futuros. Ramiro era muito supersticioso e, em sua opinião de homem avisado, tudo aquilo parecia contra natura. Cabia-lhe a si por um ponto final parágrafo, mudança de linha naquela história às avessas. E partir para Katmandu!
Alex sabia que a sua história com Ramiro tinha de tomar um rumo fosse ele em direção a um prazenteiro jardim ou a um abismo agreste ... Pensar nisso era muito doloroso, por isso Alex começou a ver ou a ler tudo quanto era comédia: em filmes, em séries televisivas, em peças de teatro, em livros humorísticos, em BD para crianças e adolescentes, em programas de rádio. Tinha de anestesiar a sua mente para não pensar. E que tarefa hercúlea essa, a de não pensar! Se não pensarmos o que vamos nós fazer? Não dizia o conhecido filósofo "Penso, logo existo"? Como existiria Alex, se não queria pensar? Isso equivalia a não existir. Mas para quê existir, se a sua vida era, naquele momento, um caos ? Alex tomou firmemente a decisão de não pensar para absorver apenas o que há de mais cômico na existência, aproveitar o lado galhofeiro e divertido da imaginação para não encarar a sua própria vida.
Quanto à sua irmã, Irene, esta de nada suspeitava. Quer dizer, sabia daquela espécie de namoro (Irene pensava que eles efetivamente namoravam), mas não sabia de nenhum pedido de casamento em suspenso. Alex e Irene não eram irmãs muito próximas, não partilhavam segredos, só a mesma casa e algumas refeições e, de vez em quando, a televisão ; trocavam breves impressões sobre aspetos banais do quotidiano, tinham alguns gostos musicais semelhantes, mas nada mais do que isto. Daí não haver lugar para invejas ou ressentimentos. Ninguém via rivalidades ou intromissões na vida pessoal de cada uma. Tudo parecia passar à margem da sua vida em comum. Assim, menos um problema para Alex...que alívio tão reconfortante e compatível com a aquela alienação intencional que se instalara !
Entretanto, Ramiro parecia ter tomado uma decisão: Katmandu. Aconteceu-lhe sonhar com a palavra. Ou ouviu-a, de manhã, nas notícias que o despertavam bem cedo e a palavra não saiu da sua cabeça, durante dias. Os mesmo dias em que não viu, não telefonou, não enviou nenhuma mensagem por telemóvel ou Facebook para Alex. Nada. Só uma procura frenética na internet sobre a geografia, a localização, a comida, os costumes, os lugares onde comer em Katmandu. Como chegar e onde ficar. E, também, pensou, pois Ramiro escolheu pensar e muito, na forma como havia de rejeitar aquele pedido de casamento.
Finalmente, a decisão estava tomada: não haveria casamento, nem namoro, nem relação assumida. Tudo se tinha passado ao contrário do que seria a ordem natural das coisas, por isso, era um péssimo presságio para os acontecimentos futuros. Ramiro era muito supersticioso e, em sua opinião de homem avisado, tudo aquilo parecia contra natura. Cabia-lhe a si por um ponto final parágrafo, mudança de linha naquela história às avessas. E partir para Katmandu!
terça-feira, 6 de maio de 2014
E esta história já vai em nove momentos... devagar se vai ao longe. Esta é a NONA PARTE!
Há perguntas que nunca se devem fazer, perguntas inconvenientes e embaraçosas cujas respostas podem provocar um desconforto insuportável a quem pergunta e a quem responde.
Ramiro ficou a saber o que é levar um soco no estômago sem saber de onde este veio. O choque foi de tal forma intenso que só conseguiu arregalar os olhos. E assim ficou durante muito tempo.
Alexandra ainda não sabe o que estava a pensar quando fez semelhante pergunta. Há atitudes que não se explicam, há palavras ou frases que ninguém entende, nem o autor nem o ouvinte.
E esta pergunta breve e de palavras fáceis é tudo menos simples. Encerra um mundo de tantos significados desconhecidos! Por isso, é que as pessoas não andam por aí a fazer pedidos de casamento a torto e a direito.
É claro que Alex se sentiu, de imediato, bastante envergonhada. As palavras tinham saído da sua boca, sem qualquer tipo de autocensura moral ou emocional, sem qualquer tipo de pudor pela sua própria intimidade. Como se não tivesse controlo sobre o que pensava e dizia . Como se outra e não ela, tivesse poder sobre si e a estivesse a manipular. Ou, provavelmente, estes pensamentos não passavam de desculpa para a aparente leviandade ao colocar, de forma repentina, uma questão tão delicada.
- Não sei. -disse, por fim, Ramiro depois de longos minutos sufocantes para Alex.
- Não precisas de responder já...- hesitou - nem nos próximos dias.
Ramiro estava triste e abatido. Então, ela sentiu pena dele por lhe colocar um fardo pesado que parecia não suportar. Pena: não devemos sentir pena da pessoa que amamos, pois não?
- Só gostava que pensasses nessa...- voltou a vacilar - hipótese.
Lindo! Uma proposta de casamento deve ser, supostamente, um gesto marcado por romantismo, amor, emoção. E ela fala de hipótese! Só podia ser a desilusão a falar.
O que é que esperava ? Que ele a tomasse nos seus braços, ao estilo das comédias românticas, com palavras doces e cheias de sentimento? Já agora com uma banda sonora de fundo.
Sem mais conversas, Ramiro, levantou-se, deu-lhe um beijo na testa e saiu. Um beijo na testa? Que raio de atitude era esta?
Há perguntas que nunca se devem fazer, perguntas inconvenientes e embaraçosas cujas respostas podem provocar um desconforto insuportável a quem pergunta e a quem responde.
Ramiro ficou a saber o que é levar um soco no estômago sem saber de onde este veio. O choque foi de tal forma intenso que só conseguiu arregalar os olhos. E assim ficou durante muito tempo.
Alexandra ainda não sabe o que estava a pensar quando fez semelhante pergunta. Há atitudes que não se explicam, há palavras ou frases que ninguém entende, nem o autor nem o ouvinte.
E esta pergunta breve e de palavras fáceis é tudo menos simples. Encerra um mundo de tantos significados desconhecidos! Por isso, é que as pessoas não andam por aí a fazer pedidos de casamento a torto e a direito.
É claro que Alex se sentiu, de imediato, bastante envergonhada. As palavras tinham saído da sua boca, sem qualquer tipo de autocensura moral ou emocional, sem qualquer tipo de pudor pela sua própria intimidade. Como se não tivesse controlo sobre o que pensava e dizia . Como se outra e não ela, tivesse poder sobre si e a estivesse a manipular. Ou, provavelmente, estes pensamentos não passavam de desculpa para a aparente leviandade ao colocar, de forma repentina, uma questão tão delicada.
- Não sei. -disse, por fim, Ramiro depois de longos minutos sufocantes para Alex.
- Não precisas de responder já...- hesitou - nem nos próximos dias.
Ramiro estava triste e abatido. Então, ela sentiu pena dele por lhe colocar um fardo pesado que parecia não suportar. Pena: não devemos sentir pena da pessoa que amamos, pois não?
- Só gostava que pensasses nessa...- voltou a vacilar - hipótese.
Lindo! Uma proposta de casamento deve ser, supostamente, um gesto marcado por romantismo, amor, emoção. E ela fala de hipótese! Só podia ser a desilusão a falar.
O que é que esperava ? Que ele a tomasse nos seus braços, ao estilo das comédias românticas, com palavras doces e cheias de sentimento? Já agora com uma banda sonora de fundo.
Sem mais conversas, Ramiro, levantou-se, deu-lhe um beijo na testa e saiu. Um beijo na testa? Que raio de atitude era esta?
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Chegamos à oitava parte, ao OITAVO CAPÍTULO...
Alex, a nossa doce Alexandra, confundia a atenção e admiração de Ramiro com Amor. Mas, se o Amor é um sentimento tão nobre, tão poderosamente avassalador, como pode ser confundido com outro sentimento? Como pode alguém interpretar, de forma errónea, os sinais e os comportamentos do outro? Não há um espelho para o Amor, não há um código acessível.
O Amor é um mistério divino, é a suprema criação que pode redimir o Homem, por isso é tão difícil de encontrar ... Instintivamente sabemos que, quando tudo falha, a única resposta possível para os dilemas da Vida é o Amor. Mas onde está escondida a chave para este enigma?
Alex, a renovada Alex, passou a ser irrequieta o que espantava quem a conhecia. Era ela quem convidava Ramiro, quem tomava iniciativa para qualquer programa a dois, para qualquer rasgo romântico ou atitude inaudita. Sentia-se inspirada, tinha ideias criativas que o surpreendiam e ele limitava-se a aceitar, a dizer a tudo que sim, a sorrir placidamente a cada gesto, sempre conformado, sempre paciente. Olhava para ela, pensava em Irene, ali tão perto, e era quanto lhe bastava para se sentir feliz.
E os dias foram passando, iguais para ele, diferentes para ela.
Ele esperava sempre o inesperado, e já não se admirava com as atitudes e os gestos dela. Parecia que era sua obrigação servi-lo nos sentimentos, como se fosse natural que ela sentisse Amor a dobrar.
Ela, por sua vez, concentrava toda a energia dos seus dias a alimentar esse Amor que julgava ter descoberto. Sentia uma alegria análoga à dos exploradores, quando estes encontram o mapa do tesouro. Tinha o esforço, a convicção, a fantasia essenciais para planear os acontecimentos até à perfeição e vivia-os com intensidade.
Os dias continuaram a passar, sem sobressaltos. Ramiro era atencioso, elogiava, dizia palavras simpáticas e banais. Alex era imaginativa, descobria novos lugares para explorarem a dois, escrevia pequenos e singelos poemas que eternizava em pequenos e delicados cartõezinhos que, ternamente, colocava no seu casaco, na sua pasta , dentro dos seu livros ou cadernos de apontamentos.
Até que um dia, levando a surpresa ao limite e, por isso, sem pensar, fez-lhe uma pergunta:
- Queres casar comigo?
Alex, a nossa doce Alexandra, confundia a atenção e admiração de Ramiro com Amor. Mas, se o Amor é um sentimento tão nobre, tão poderosamente avassalador, como pode ser confundido com outro sentimento? Como pode alguém interpretar, de forma errónea, os sinais e os comportamentos do outro? Não há um espelho para o Amor, não há um código acessível.
O Amor é um mistério divino, é a suprema criação que pode redimir o Homem, por isso é tão difícil de encontrar ... Instintivamente sabemos que, quando tudo falha, a única resposta possível para os dilemas da Vida é o Amor. Mas onde está escondida a chave para este enigma?
Alex, a renovada Alex, passou a ser irrequieta o que espantava quem a conhecia. Era ela quem convidava Ramiro, quem tomava iniciativa para qualquer programa a dois, para qualquer rasgo romântico ou atitude inaudita. Sentia-se inspirada, tinha ideias criativas que o surpreendiam e ele limitava-se a aceitar, a dizer a tudo que sim, a sorrir placidamente a cada gesto, sempre conformado, sempre paciente. Olhava para ela, pensava em Irene, ali tão perto, e era quanto lhe bastava para se sentir feliz.
E os dias foram passando, iguais para ele, diferentes para ela.
Ele esperava sempre o inesperado, e já não se admirava com as atitudes e os gestos dela. Parecia que era sua obrigação servi-lo nos sentimentos, como se fosse natural que ela sentisse Amor a dobrar.
Ela, por sua vez, concentrava toda a energia dos seus dias a alimentar esse Amor que julgava ter descoberto. Sentia uma alegria análoga à dos exploradores, quando estes encontram o mapa do tesouro. Tinha o esforço, a convicção, a fantasia essenciais para planear os acontecimentos até à perfeição e vivia-os com intensidade.
Os dias continuaram a passar, sem sobressaltos. Ramiro era atencioso, elogiava, dizia palavras simpáticas e banais. Alex era imaginativa, descobria novos lugares para explorarem a dois, escrevia pequenos e singelos poemas que eternizava em pequenos e delicados cartõezinhos que, ternamente, colocava no seu casaco, na sua pasta , dentro dos seu livros ou cadernos de apontamentos.
Até que um dia, levando a surpresa ao limite e, por isso, sem pensar, fez-lhe uma pergunta:
- Queres casar comigo?
sexta-feira, 2 de maio de 2014
E, para criar um ditado novo: "não há seis sem sete"... já podem ler o SÉTIMO CAPÍTULO ...
Para Alex, habituada a ficar sossegada, no seu mundo estagnado e sem novidades, aquele sentimento completamente inusitado agigantava-se e assustava-a. Assim, não era de estranhar que tivesse direito a passar por todos clichés do estado amoroso: palpitações, um certo "friozinho" na barriga, momentos de ansiedade misturados com euforias súbitas e inexplicáveis, falta de sono, falta de apetite e tudo o mais que possam associar ao momento em que nasce a paixão...ou em que pensam em tal emoção.
Quanto a Ramiro, esse parecia firme no seu encantamento por Irene e na simpatia pela sua irmã.
Ela, nunca chegaremos a saber se de forma deliberada ou inconsciente, permanecia alheada das reais intenções do seu amigo.
Este, rapaz inteligente, começou a perceber como funcionava aquele jogo em que Irene se mantinha sempre em vantagem, pois o objeto adorado nutre-se do fascínio que o outro sente, e suga-lhe toda a energia até ficar completamente refém do amor.
Certo dia, magnífico dia, descobriu a irmã e toda a atenção e admiração que esta lhe dispensava. Foi uma autêntica revelação. Então, passou a alimentar o amor de Alex, pois ela era o mais próximo que podia ter de Irene: era sua irmã, partilhava o seu ADN, passava a saber o que aquela fazia, quais os seus projetos, o que sentia. Enfim, Alex era a solução possível para atenuar a dor do seu amor não correspondido. E não se sentia minimamente incomodado por satisfazer esta forma de egoísmo.
Sem dúvida, o amor é o sentimento mais contraditório e confuso que existe. Ramiro amava Irene, ou, pelo menos, pensava amá-la, mas contentava-se com o amor de Alex. Alex acreditava, ingenuamente, que o amor se alcança sem esforço e que tinha encontrado o seu amado. Irene ficava contente por ver o seu melhor amigo e a sua irmã a aproximarem-se e, quem sabe apaixonarem-se, pensava. É um facto, o Homem tem uma propensão inequívoca para o erro, no que diz respeito ao seu lado sentimental. Tudo o que é do foro das emoções, dos afetos ou dos desejos deixa o ser humano tão baralhado e confuso, que começa desenhar castelos utópicos que o deixam em êxtase prazenteiro, mesmo que seja ilusório.
E a história continua de forma previsível: começaram a sair a dois para jantar, ir ao cinema , tomar café, a rotina comum dos casais que começam a consolidar uma relação. Rapidamente, vieram os elogios fáceis, os beijos, as carícias mais ou menos ousadas... mas nem uma palavra de compromisso, nem um sinal de namoro assumido perante os outros.
Ramiro sentia-se bem nesta tipo de relação. E Alex? O que pensava e o que sentia em relação a esta mistura de namoro e amizade que não era nem uma coisa nem outra?
Para Alex, habituada a ficar sossegada, no seu mundo estagnado e sem novidades, aquele sentimento completamente inusitado agigantava-se e assustava-a. Assim, não era de estranhar que tivesse direito a passar por todos clichés do estado amoroso: palpitações, um certo "friozinho" na barriga, momentos de ansiedade misturados com euforias súbitas e inexplicáveis, falta de sono, falta de apetite e tudo o mais que possam associar ao momento em que nasce a paixão...ou em que pensam em tal emoção.
Quanto a Ramiro, esse parecia firme no seu encantamento por Irene e na simpatia pela sua irmã.
Ela, nunca chegaremos a saber se de forma deliberada ou inconsciente, permanecia alheada das reais intenções do seu amigo.
Este, rapaz inteligente, começou a perceber como funcionava aquele jogo em que Irene se mantinha sempre em vantagem, pois o objeto adorado nutre-se do fascínio que o outro sente, e suga-lhe toda a energia até ficar completamente refém do amor.
Certo dia, magnífico dia, descobriu a irmã e toda a atenção e admiração que esta lhe dispensava. Foi uma autêntica revelação. Então, passou a alimentar o amor de Alex, pois ela era o mais próximo que podia ter de Irene: era sua irmã, partilhava o seu ADN, passava a saber o que aquela fazia, quais os seus projetos, o que sentia. Enfim, Alex era a solução possível para atenuar a dor do seu amor não correspondido. E não se sentia minimamente incomodado por satisfazer esta forma de egoísmo.
Sem dúvida, o amor é o sentimento mais contraditório e confuso que existe. Ramiro amava Irene, ou, pelo menos, pensava amá-la, mas contentava-se com o amor de Alex. Alex acreditava, ingenuamente, que o amor se alcança sem esforço e que tinha encontrado o seu amado. Irene ficava contente por ver o seu melhor amigo e a sua irmã a aproximarem-se e, quem sabe apaixonarem-se, pensava. É um facto, o Homem tem uma propensão inequívoca para o erro, no que diz respeito ao seu lado sentimental. Tudo o que é do foro das emoções, dos afetos ou dos desejos deixa o ser humano tão baralhado e confuso, que começa desenhar castelos utópicos que o deixam em êxtase prazenteiro, mesmo que seja ilusório.
E a história continua de forma previsível: começaram a sair a dois para jantar, ir ao cinema , tomar café, a rotina comum dos casais que começam a consolidar uma relação. Rapidamente, vieram os elogios fáceis, os beijos, as carícias mais ou menos ousadas... mas nem uma palavra de compromisso, nem um sinal de namoro assumido perante os outros.
Ramiro sentia-se bem nesta tipo de relação. E Alex? O que pensava e o que sentia em relação a esta mistura de namoro e amizade que não era nem uma coisa nem outra?
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Já sei o que esperam, querem saber o que vai acontecer entre Alex e Ramiro. VAMOS À SEXTA PARTE .
Ainda dizem que as pessoas não mudam. Pode ser verdade...em alguns casos.
Diz o senso comum que certos processos de sofrimento físico ou psicológico abalam as estruturas de ser humano que perde o rumo e a lucidez. Depois de tudo isto passar, as pessoas dizem-se transformadas e prontas para viver esta segunda oportunidade com outro fôlego.
Todavia, também não é sempre assim. De facto, apesar de algumas pensarem que se sentem renovadas, só têm forças para voltar à forma original! Um rio, por mais caudaloso ou agitado que seja, desagua sempre no mar, os pássaros repetem as mesmas rotas, todos os anos, sensivelmente, na mesma altura, ainda que um ou outro se perca do bando. Até a mãe natureza gosta de rotinas e de, sabiamente, repetir os seus movimentos.
Outras pessoas aproveitam o embalo do caos, agarram nessa energia em bruto e moldam-na em favor de uma nova criação, em forma de ressurreição.
Alexandra, neste momento Alex, pertence ao grupo dos que encetam grandes mudanças. Foi, então, o momento da sua rebeldia: resolveu mudar de vida. Como diz a canção:" Muda de vida, se não estás satisfeito" .
Confusos? Eu esclareço. No presente, já sabemos, Alexandra é uma mulher confiante e segura de si mesma, que sabe ler as pessoas e os acontecimentos, como forma de se esconder, atempadamente, das dores da vida. No passado não muito longínquo, Alex era conformada e quieta em relação ao que a rodeava, fossem pessoas ou acontecimentos. Porém, no dia em que conheceu quem era Ramiro, tudo isso mudou e sentiu-se impelida a tomar um atitude, fosse ela qual fosse.
Ramiro. O que dizer dele? Não há muito para dizer. Não tinha atributos especiais que o pudessem qualificar como atraente. Era um homem alto, magro, de olhar tímido e gestos vagarosos. e estava apaixonado por Irene, sem que esta suspeitasse, embora fosse óbvio para muitos daqueles que os conheciam. Ingenuamente, refugiava-se na ilusão de que ele era o único que sabia da sua paixão. Daí o à- vontade e o desejo atencioso ao falar com Alex, que interpretou aquela simpatia e atenção como uma forma de aproximação e interesse pela sua própria pessoa...
É engraçado o poder que um equívoco tem!
Passaram a encontrar-se mais vezes. O trabalho acabou, mas havia saídas de amigos com jantares, idas ao cinema, encontros no café e Alex continuou à espera, não do que a vida teria para lhe oferecer, mas sim do que ela própria viria a fazer, fazendo depender a atitude crucial, a da declaração do seu amor por Ramiro, de um gesto dele mais convincente para ela poder, finalmente, agir.
Ainda dizem que as pessoas não mudam. Pode ser verdade...em alguns casos.
Diz o senso comum que certos processos de sofrimento físico ou psicológico abalam as estruturas de ser humano que perde o rumo e a lucidez. Depois de tudo isto passar, as pessoas dizem-se transformadas e prontas para viver esta segunda oportunidade com outro fôlego.
Todavia, também não é sempre assim. De facto, apesar de algumas pensarem que se sentem renovadas, só têm forças para voltar à forma original! Um rio, por mais caudaloso ou agitado que seja, desagua sempre no mar, os pássaros repetem as mesmas rotas, todos os anos, sensivelmente, na mesma altura, ainda que um ou outro se perca do bando. Até a mãe natureza gosta de rotinas e de, sabiamente, repetir os seus movimentos.
Outras pessoas aproveitam o embalo do caos, agarram nessa energia em bruto e moldam-na em favor de uma nova criação, em forma de ressurreição.
Alexandra, neste momento Alex, pertence ao grupo dos que encetam grandes mudanças. Foi, então, o momento da sua rebeldia: resolveu mudar de vida. Como diz a canção:" Muda de vida, se não estás satisfeito" .
Confusos? Eu esclareço. No presente, já sabemos, Alexandra é uma mulher confiante e segura de si mesma, que sabe ler as pessoas e os acontecimentos, como forma de se esconder, atempadamente, das dores da vida. No passado não muito longínquo, Alex era conformada e quieta em relação ao que a rodeava, fossem pessoas ou acontecimentos. Porém, no dia em que conheceu quem era Ramiro, tudo isso mudou e sentiu-se impelida a tomar um atitude, fosse ela qual fosse.
Ramiro. O que dizer dele? Não há muito para dizer. Não tinha atributos especiais que o pudessem qualificar como atraente. Era um homem alto, magro, de olhar tímido e gestos vagarosos. e estava apaixonado por Irene, sem que esta suspeitasse, embora fosse óbvio para muitos daqueles que os conheciam. Ingenuamente, refugiava-se na ilusão de que ele era o único que sabia da sua paixão. Daí o à- vontade e o desejo atencioso ao falar com Alex, que interpretou aquela simpatia e atenção como uma forma de aproximação e interesse pela sua própria pessoa...
É engraçado o poder que um equívoco tem!
Passaram a encontrar-se mais vezes. O trabalho acabou, mas havia saídas de amigos com jantares, idas ao cinema, encontros no café e Alex continuou à espera, não do que a vida teria para lhe oferecer, mas sim do que ela própria viria a fazer, fazendo depender a atitude crucial, a da declaração do seu amor por Ramiro, de um gesto dele mais convincente para ela poder, finalmente, agir.
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