terça-feira, 20 de maio de 2014

Simplesmente, capítulo TREZE...

  Em plena luz do dia, na Ribeira, de frente para o Douro e para a ponte D. Luís, no meio dos turistas tagarelas e  animados pelo sol e pelo ambiente caloroso do Norte,  o seu olhar  fixou-se  num homem alto,  de porte  altivo e imponente. Usava óculos escuros e o seu cabelo negro e curto  estava  bem penteado. A camisa branca e impecável e as calças escuras denunciavam a farda de motorista, certamente, de um autocarro que teria trazido alguns daqueles estrangeiros  que não paravam de fotografar as casas, os barcos, o rio, a outra margem  e que compravam lembranças emblemáticas daquela zona típica. Olhava pacientemente em todas as direções com uma segurança tal que  dominava  todo aquele cenário. Uma espécie de senhor poderoso que controlava o espaço só com o olhar  e a presença.
   Graças à falta de discrição de Alex, ele olhou para ela e esta, apesar de envergonhada, não desviou o olhar. Manteve-se firme em jeito de desafio: quem podia adivinhar até onde aquele confronto iria levá-la?
   Ele caminhou na sua direção e o coração dela batia desordenadamente. Ao mesmo tempo, parecia sentir um perfume intenso que a envolvia como que num forte abraço e que lhe travava  o fluxo dos pensamentos.
   - Anda perdida?
   -Sim!- foi a sinceridade a responder.  Se estivesse realmente consciente e em pleno uso das suas faculdades  mentais,  seria outra a resposta.
  Sem saber como, deu por si num simpático café a conversar com aquele estranho que exercia sobre si um fascínio mágico. Tudo à sua volta parecia parado ou, na melhor das hipóteses, a movimentar-se  em camara lenta. Ouvia ruídos de fundo, via vultos indistintos, pois  a voz e a figura daquele homem sobrepunha-se tudo o resto. Nada mais interessava a não ser aquele inusitado encontro onde falaram de histórias engraçadas de turistas deslumbrados. Não  puderam conversar muito  mais, porque era chegada a hora de levar os seus passageiros  para outo lugar. Porém, trocaram números de telemóvel para voltarem a encontrar-se.
   Enquanto ele se afastava, Alex sentiu a cabeça a andar à roda e uma tristeza quase insuportável começava a estender um manto sombrio sobre o seu coração. Ansiava pela noite, altura propícia para lhe telefonar. Não foi preciso: por volta das sete da tarde, Celestino (era este o estranho nome do rapaz, parece que em homenagem a um tio -avô que morreu jovem, logo depois de casar) telefonou-lhe para a convidar para jantar...num restaurante típico da Ribeira.
   Estranhamente, a imagem de Ramiro desapreceu da sua mente. Ramiro? Qual Ramiro?

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