segunda-feira, 5 de maio de 2014

Chegamos à oitava parte, ao OITAVO CAPÍTULO...

   Alex, a nossa doce Alexandra,  confundia a atenção e admiração de Ramiro com Amor. Mas, se o Amor é um sentimento tão nobre, tão poderosamente avassalador,  como pode ser confundido com outro sentimento? Como pode alguém interpretar, de forma errónea, os sinais e os comportamentos do outro? Não há um espelho para o Amor, não há um código acessível.
   O Amor é um mistério divino, é a suprema criação que pode redimir o Homem, por isso é tão difícil de encontrar ... Instintivamente sabemos que, quando tudo falha, a única resposta possível para os dilemas  da Vida é o Amor. Mas onde está escondida a chave para este enigma?
  Alex, a renovada Alex, passou a ser irrequieta o que espantava quem a conhecia. Era ela quem convidava  Ramiro, quem tomava iniciativa  para qualquer programa a dois, para qualquer rasgo romântico ou atitude inaudita. Sentia-se inspirada, tinha ideias criativas  que o surpreendiam e ele limitava-se a aceitar, a dizer a tudo que sim, a sorrir placidamente a cada gesto, sempre conformado, sempre paciente. Olhava para ela, pensava em Irene, ali tão perto, e era quanto lhe bastava para se sentir feliz.
   E os dias foram passando, iguais para ele, diferentes para ela.
   Ele esperava sempre o inesperado, e já não se admirava com as atitudes e os gestos dela. Parecia que era sua obrigação servi-lo nos sentimentos, como se fosse natural  que ela sentisse  Amor a dobrar.
   Ela, por sua vez,  concentrava toda a energia dos seus dias a alimentar esse Amor que julgava ter descoberto. Sentia  uma alegria análoga à  dos exploradores, quando estes encontram o mapa do tesouro. Tinha o esforço, a convicção, a fantasia essenciais para planear os acontecimentos até à perfeição e vivia-os com intensidade.
  Os dias continuaram a passar, sem sobressaltos. Ramiro era atencioso, elogiava, dizia palavras simpáticas e banais. Alex era imaginativa, descobria novos lugares para explorarem a dois, escrevia pequenos e singelos poemas que eternizava em pequenos e delicados cartõezinhos que, ternamente, colocava no seu casaco, na sua pasta , dentro dos seu livros ou cadernos de apontamentos.
  Até que um dia, levando a surpresa ao limite e, por isso, sem pensar, fez-lhe uma pergunta:
   - Queres casar comigo?

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