sexta-feira, 16 de maio de 2014

Na DÉCIMA PRIMEIRA PARTE,  os acontecimentos se simplifiquem... aqui vamos nós outra vez...

   Alex percebeu que a falta de notícias era mau sinal, muito mau sinal. Ela sentia que Ramiro estava encurralado e assustado e, por isso, fugiria dela com todas as forças que tivesse. Mas, se possível, de forma discreta, seria uma brisa naturalmente invisível que passaria sem incomodar.
   Então, seria a vez dela de fugir: fugir de casa para não enfrentar Irene, apesar da sua ignorância sobre o assunto, fugir da sua rua para não encarar os amigos e conhecidos  e o seu olhar de comiseração ou de censura, fugir de si própria para não passar a vida a lamentar-se por ter revelado tanto de si ao ser amado.
    Era uma mulher corajosa, não sentia remorsos ou arrependimento em relação ao que tinha feito. No entanto, corava de vergonha ao ter assumido um papel tão preponderante, por ter tomado a iniciativa que poucos esperam de uma mulher. Por ter ousado.
   Decidiu passar uma semana de férias e iria passear até ao Porto. Porquê o Porto? Não sabia bem, mas talvez fosse por ser uma cidade grande, cosmopolita com muitos motivos de distração onde poderia perder-se dos seus pensamentos, esconder-se das  angústias que desabavam sobre a sua paz interior. Estava pronta para partir e cerrar com chave pesada de ferro essa história precipitada ou mal pensada, ela nem sabia.
   O que ela não desconfiava era de como era parecida com Ramiro: ambos  tomavam atitudes repentinas, sem descortinar o como ou o porquê. Essas atitude impulsivas  aproximavam-nos, eram o cerne dessa inexplicável atração.
    Mesmo assim, Alex não o culpava pela sua  ausência. Muito pelo contrário, aquela indecisão e cobardia ainda faziam com que, estupidamente, o amasse mais. Como se uma onda gigantesca de ternura tomasse conta de si e lhe desse vontade  de o abraçar, acariciar, beijar. O que não faria, pois ia passar uns dias ao Porto. O seu sentido prático tornou-a rápida.
  O ser humano é mesmo um grande mistério em si e para si mesmo. Nunca iremos conseguir entender o lado sentimental  dos homens... nem das mulheres. No meio de toda esta incompreensão, há finais felizes de histórias sem peripécias, sem coadjuvantes ou oponentes;  mas essas acontecem com alguns iluminados que veem para além da emoção.

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