Poderíamos estar a chegar ao fim.. parte doze , CAPÍTULO DÉCIMO SEGUNDO, mas não sei se por superstição ou porque a história ainda vai sofrer algumas reviravoltas, vamos continuar.
Ramiro não chegou a partir para Katmandu. Passada a euforia e o entusiasmo iniciais, partilhou esta intenção com o seu amigo mais chegado, Miguel, que logo tratou de lhe mostrar que esta era uma ideia absolutamente disparatada.
- Se queres esquecer o assunto, não precisas de ir até ao fim do mundo, neste caso, o teto do mundo, pois nem lá te vais livrar do sentimento de culpa por magoares a Alex.
- Mas eu também preciso de um tempo só para mim, para saber o que quero. Preciso de encontrar uma solução para a minha vida. Só, sem a interferência de ninguém.
Ramiro falava pausadamente como se receasse estar a falar de um assunto tão complexo perante uma criança com dificuldade em entender um adulto.
- Ouve, isso já parece conversa de gaja...como daqueles programas feitos para elas, tipo moda e autoajuda. Se te queres encontrar, podes fazê-lo aqui mesmo. Em Portugal, não faltam lugares calmos e afastados de tudo... e sai-te muito mais barato. Parece que estás a querer arranjar uma desculpa para ir passear.
Ramiro lançou-lhe um olhar ofendido. Como podia ele falar de desculpa e passeio, tudo junto, na mesma frase?
- Há lugares únicos e só lá, em contacto com a pureza do mundo, é que consegues alguma paz de espírito, que é coisa que não tenho neste momento.
- Não parece que esta cena do casamento te tire o sono. Em contrapartida, estás a psair-me cá um poeta...pureza do mundo, hein?- Miguel olhou-o de lado em jeito de provocação, tentava diminuir a importância das coisas para espicaçar o ânimo do amigo.
- Não, não me tira o sono, mas tenho pensado muito no assunto e ando preocupado. Tenho de dizer Não à Alex e isso não é fácil.
- Mas o que eu estou a dizer é que não é necessário ir para Katmandu como pretexto para fugires à ideia , só estou a falar da ideia de casamento...Fazes isso mesmo aqui, em casa e acabas com essa chatice de uma vez por todas.
-Talvez tenhas razão. Vou uns dias até ao Algarve e quando regressar, falo com ela e ponho tudo em pratos limpos.-
Ramiro estava evidentemente nervoso por renegar a sua ideia, por não ter argumentos suficientemente poderosos para sustentar a sua fuga do país. Só lhe restava apresentar uma alternativa que não fosse humilhante perante si próprio, uma cedência perante as evidências apresentadas pelo amigo.
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