quarta-feira, 30 de abril de 2014

Lá vai o QUINTO mini-CAPÍTULO ...desculpem-me o neologismo criado à pressa!

   Tudo isto poderia ter acontecido, quando Alexandra era Alex, muito jovem , muito imatura e sem saber qual o  caminho a trilhar. Esta falta de ambição  própria dos chamados "verdes anos" não parecia incomodá-la minimamente. Tal como agora,  não tinha  muita pressa e a indecisão daquele momento fazia parte de si. Tinha muito tempo para tomar opções, entretanto, agora era o tempo da espera e ela usufruía-a sem remorsos.
  Foi precisamente nesta altura  que ele apareceu.
  Ah! Já sei o estão ou vão pensar: era inevitável , previsível até que aparecesse um homem nesta história de uma mulher aparentemente  ponderada. Na vida de uma mulher, há sempre um homem...ou vários. E esses não podem ser omitidos destas narrativas quase biográficas.
   No caso de Alexandra, enquanto Alex, também foi assim. Nessa fase de estagnação e  de paragem sem rumo à vista ou correrias desenfreadas, surgiu esta surpresa sob a forma de um homem praticamente desconhecido que entrou em sua casa, pela porta da frente e pela mão da sua irmã mais nova.
  Ramiro era um colega da faculdade de Irene que  ia lá  a casa por causa de um trabalho. Quando os seus olhares se cruzaram pela primeira vez... não aconteceu nada. Nem faíscas de fogo de artifício, um "friozinho" ou um baque no estômago, nem sequer um revirar de olhos. Nada. Apenas indiferença e o  esquecimento instantâneor.
   Contudo, dias depois, quando se viram forçados a falar um com o outro (  da primeira vez, Ramiro apenas cumprimentara Alexandra com um "Olá" praticamente impercetível ),  pois Irene tivera de se ausentar inesperadamente, foi como se os sons das suas respetivas vozes os despertassem para a realidade do outro. Era o beijo da Bela Adormecida e do Príncipe convertido em sons que os acordavam.  Começaram a conversar e  um fascínio mútuo que  começou a crescer.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

E, de novo, o momento pelo qual todos ansiavam....o QUARTO CAPÍTULO  da "saga" da Alexandra.

   O facto é que Alexandra é feliz, porque se sente feliz. Baralhados? Eu passo a explicar: Alexandra vive no modo "PROTEÇÃO", aplicando-o, como já se viu, tanto à sua vida profissional como pessoal. Vai contornando as experiências, vai vislumbrando a dor das desilusões, vai debicando as novidades, sem nunca mergulhar verdadeiramente nelas, privando-se, tanto quanto possível de tudo quanto possa ser prova de sofrimento.
   Muitos continuarão a interrogar-se: mas como? Sem sofrimento não há crescimento pessoal, sem  frustração não há evolução interior, como pode esta mulher abster-se das agruras, dos desgostos?
  A vida é feita de escolhas. Trata-se de um cliché, mas é verdade! Não há volta a dar às verdades incontornáveis. E agora que entrei num pensamento circular, podemos permanecer na nossa curiosidade insatisfeita. Não é possível que exista uma pessoa assim. E Alexandra não parece ser fria, insensível ou crua.
  Então, houve uma fase, uma etapa em que ela foi  uma outra.
  Depois,  em algum momento da sua vida , de forma súbita e impulsiva  ou ponderada e lenta, ela  decidiu  transformar-se e escolheu ser diferente. Fez esta opção e não parece arrependida. Qual o facto marcante que se tornou o ponto de viragem da sua existência? Seria fascinante que esse acontecimento fosse um caso amoroso, um paixão vibrante mas infeliz que apimentasse as nossas fantasias.
   É fascinante como  o amor sabe despertar em quem o vive ou a quem ele assiste um frenesim e uma curiosidade quase insaciável. O amor é um assunto que nunca se esgota, nunca se  acaba, é por isso que é eterno...

domingo, 27 de abril de 2014

E um novo capítulo.. O TERCEIRO ...

   Não confundam a firmeza dos seus gestos com a solidez fria de uma estátua esculpida pela ausência de emoções.
   Podíamos fantasiar com uma vida sem os buracos irritantes que nos despertam da rotina nos levam a sentir medo de uma queda, as  lombas inconvenientes ou os desvios temporários que obrigam a mudar de atitude, a moderar a velocidade das ações  ou a contornar os obstáculos que podem surgir sem aviso prévio, forçando-nos a alterar rotas...
  Na condução do autocarro ou da sua própria vida,  olhar para trás pelo espelho retrovisor...do carro e das memórias torna-se imperioso.
  No entanto, ela atribui a estes imponderáveis  apenas a importância de um breve  momento, depois não pensa mais no assunto, não esgota o seu ânimo nem se afoga em remorsos, em alternativas que poderiam ter acontecido, mas que  não chegaram a realizar-se. Quanto aos eventuais acidentes, sejam rodoviários ou existenciais, vive a proteção e a segurança como grandes certezas da sua existência humana. Cuida da sua vida, dos seus sentimentos como do seu próprio autocarro. Faz tudo com grande cuidado e atenção. Vigia os movimentos e atos dos outros condutores para evitar que eles a abalroem. Foge dos incautos e afasta-se das manobras agressivas, evita magoar os outros ou magoar-se a si própria.
   Perguntarão vocês: mas, então, isso é VIVER? Onde está o risco?  Viver assim será viver plenamente?
   Sim, é uma certa forma de vida. Pode não ser essa a nossa maneira de acompanharmos este mundo, porém, ser assim previne muitos desastres...

sexta-feira, 25 de abril de 2014

  Aqui vai a CONTINUAÇÃO, isto é como quem diz , UM SEGUNDO CAPÍTULO...

   É uma mulher num mundo novo, um mundo dominado exclusivamente pelos homens, durante muito tempo. Estes, habituados ao cliché das mulheres serem donas da emoção, pensavam que elas  não poderiam controlar um volante ou usar um travão no ritmo frenético da capital. Já para não falar das diferenças do olhar sobre a vida, da linguagem, dos gestos, das formas de encarar o Mundo  que tornariam insuportável  a ideia de uma mulher num cargo masculino. Tudo estava bem desde que esses tudo   estivesse bem separado. Profissões exclusivas para homens e  profissões próprias para mulheres.
   Mas, o Poeta não se enganou sobre os caprichos das mutações: "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"... será sempre assim: o Homem sentirá sempre vontade de transformar o que está fora e dentro de si. De forma espontânea ou forçada!|
   Agora, ali estava ela a comandar o seu possante autocarro, com a firmeza e determinação que impunha respeito a passageiros, transeuntes ou simples passeantes que, como eu, ainda se admiravam por ver uma mulher a conduzir uma autocarro.
   Gostava que ela se chamasse Alexandra, pela força que o nome carrega dentro de si. Lembra feitos heróicos e guerreiros, ousadias e proezas face a opositores cruéis e sanguinários. Sugere cidades luxuosas e imponentes governadas por senhores desejosos de mostrar a opulência e a magnitude do seu poder.
   Alexandra vai longe. Já não vejo o seu autocarro. Vai longe no seu caminho e na sua vida, porque não para, vai fazendo o seu percurso e o seu caminho é o mesmo caminho daqueles que, de certa forma, guia, sejam eles os passageiros ou aqueles com quem partilha o seu afeto.
   Sem ela, todos  terão mais dificuldade em  chegar ao seu lugar. É ela quem os conduz ao seu destino: emprego, casa, encontro , tudo o que faz parte do mundo...
    A sua profissão permite-lhe ajudar os outros, mesmo que estes nem se apercebam da importância que ela tem nas suas vidas.  Eles nem reparam que, naqueles momentos, é ela quem dirige os seus passos, é ela que, por momentos, dirige as suas vidas. Nesta ignorância indiferente, ela sente-se feliz,  pois essa forma de poder não ofende nem humilha ninguém. Não há  lugar para sobranceria ou arrogância. Só  para calma, serenidade e determinação que transporta  para a sua própria vida.
   Ela conhece muito bem  o seu próprio caminho, as suas paragens, o seu destino. A determinação e confiança são regras de condução para a sua vida.

CONTINUA...

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Aqui vai o primeiro capítulo (vou chamar-lhe assim para  parecer mais "bonito") do meu primeiro texto, a estreia. Eu não sei se vocês a aguardam, mas eu, certamente, anseio por mostrá-la.

   Olhei, ocasionalmente, para aquela mulher que conduzia o autocarro de passageiros, em plena Lisboa.
   Sem pressas, muito direita no seu assento de condutora, de semblante calmo, gestos vagarosos e controlados. Toda ela é a imagem da segurança e da serenidade. Toda ela compõe um quadro de harmonia dentro de uma  máquina fria e desinteressante. Toda ela é a imagem de uma confiança em si mesma  tão suave que passa completamente despercebida perante a cidade.
   Dirão: quem faz da condução a sua vida, não se pode permitir a ter outra postura, correndo o risco de  desmoronar física e psicologicamente. Mas todos sabemos que, na vida, não há só um caminho...e ela poderia ter-se tornado numa outra mulher. O stress do trânsito, o tráfego intenso das hora de ponta que já não se regem  pelas entradas e saídas dos empregos, poderiam ter condicionado a sua forma de ser, levando-a  à agitação, ao desespero  e ao impropério desabrido.
  Mas isso não aconteceu...porquê?

CONTINUA
Olá...outra vez.
Nem dei conta que podia atualizar o que escrevi...e não é que atualizei mesmo?!?!?!

Sejam bem-vindos à minha casa de escrita, ao meu mundo simultaneamente real(porque está aqui, perante vós) e imaginário ( pois vai ser o fruto da minha imaginação).
É aqui que vou partilhar, com quem tiver  tempo -  esse bem sobejamente precioso -  disponibilidade, paciência e gosto pela(s)  palavra (s),  as minhas  ideias que serão apresentadas nas mais variadas formas.