domingo, 27 de abril de 2014

E um novo capítulo.. O TERCEIRO ...

   Não confundam a firmeza dos seus gestos com a solidez fria de uma estátua esculpida pela ausência de emoções.
   Podíamos fantasiar com uma vida sem os buracos irritantes que nos despertam da rotina nos levam a sentir medo de uma queda, as  lombas inconvenientes ou os desvios temporários que obrigam a mudar de atitude, a moderar a velocidade das ações  ou a contornar os obstáculos que podem surgir sem aviso prévio, forçando-nos a alterar rotas...
  Na condução do autocarro ou da sua própria vida,  olhar para trás pelo espelho retrovisor...do carro e das memórias torna-se imperioso.
  No entanto, ela atribui a estes imponderáveis  apenas a importância de um breve  momento, depois não pensa mais no assunto, não esgota o seu ânimo nem se afoga em remorsos, em alternativas que poderiam ter acontecido, mas que  não chegaram a realizar-se. Quanto aos eventuais acidentes, sejam rodoviários ou existenciais, vive a proteção e a segurança como grandes certezas da sua existência humana. Cuida da sua vida, dos seus sentimentos como do seu próprio autocarro. Faz tudo com grande cuidado e atenção. Vigia os movimentos e atos dos outros condutores para evitar que eles a abalroem. Foge dos incautos e afasta-se das manobras agressivas, evita magoar os outros ou magoar-se a si própria.
   Perguntarão vocês: mas, então, isso é VIVER? Onde está o risco?  Viver assim será viver plenamente?
   Sim, é uma certa forma de vida. Pode não ser essa a nossa maneira de acompanharmos este mundo, porém, ser assim previne muitos desastres...

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