sexta-feira, 25 de abril de 2014

  Aqui vai a CONTINUAÇÃO, isto é como quem diz , UM SEGUNDO CAPÍTULO...

   É uma mulher num mundo novo, um mundo dominado exclusivamente pelos homens, durante muito tempo. Estes, habituados ao cliché das mulheres serem donas da emoção, pensavam que elas  não poderiam controlar um volante ou usar um travão no ritmo frenético da capital. Já para não falar das diferenças do olhar sobre a vida, da linguagem, dos gestos, das formas de encarar o Mundo  que tornariam insuportável  a ideia de uma mulher num cargo masculino. Tudo estava bem desde que esses tudo   estivesse bem separado. Profissões exclusivas para homens e  profissões próprias para mulheres.
   Mas, o Poeta não se enganou sobre os caprichos das mutações: "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades"... será sempre assim: o Homem sentirá sempre vontade de transformar o que está fora e dentro de si. De forma espontânea ou forçada!|
   Agora, ali estava ela a comandar o seu possante autocarro, com a firmeza e determinação que impunha respeito a passageiros, transeuntes ou simples passeantes que, como eu, ainda se admiravam por ver uma mulher a conduzir uma autocarro.
   Gostava que ela se chamasse Alexandra, pela força que o nome carrega dentro de si. Lembra feitos heróicos e guerreiros, ousadias e proezas face a opositores cruéis e sanguinários. Sugere cidades luxuosas e imponentes governadas por senhores desejosos de mostrar a opulência e a magnitude do seu poder.
   Alexandra vai longe. Já não vejo o seu autocarro. Vai longe no seu caminho e na sua vida, porque não para, vai fazendo o seu percurso e o seu caminho é o mesmo caminho daqueles que, de certa forma, guia, sejam eles os passageiros ou aqueles com quem partilha o seu afeto.
   Sem ela, todos  terão mais dificuldade em  chegar ao seu lugar. É ela quem os conduz ao seu destino: emprego, casa, encontro , tudo o que faz parte do mundo...
    A sua profissão permite-lhe ajudar os outros, mesmo que estes nem se apercebam da importância que ela tem nas suas vidas.  Eles nem reparam que, naqueles momentos, é ela quem dirige os seus passos, é ela que, por momentos, dirige as suas vidas. Nesta ignorância indiferente, ela sente-se feliz,  pois essa forma de poder não ofende nem humilha ninguém. Não há  lugar para sobranceria ou arrogância. Só  para calma, serenidade e determinação que transporta  para a sua própria vida.
   Ela conhece muito bem  o seu próprio caminho, as suas paragens, o seu destino. A determinação e confiança são regras de condução para a sua vida.

CONTINUA...

1 comentário:

  1. Espero que continues com a inspiração e o entusiasmo pela escrita. Fico a aguardar por mais pequenos e saborosos textos!

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