Aqui vai o primeiro capítulo (vou chamar-lhe assim para parecer mais "bonito") do meu primeiro texto, a estreia. Eu não sei se vocês a aguardam, mas eu, certamente, anseio por mostrá-la.
Olhei, ocasionalmente, para aquela mulher que conduzia o autocarro de passageiros, em plena Lisboa.
Sem pressas, muito direita no seu assento de condutora, de semblante calmo, gestos vagarosos e controlados. Toda ela é a imagem da segurança e da serenidade. Toda ela compõe um quadro de harmonia dentro de uma máquina fria e desinteressante. Toda ela é a imagem de uma confiança em si mesma tão suave que passa completamente despercebida perante a cidade.
Dirão: quem faz da condução a sua vida, não se pode permitir a ter outra postura, correndo o risco de desmoronar física e psicologicamente. Mas todos sabemos que, na vida, não há só um caminho...e ela poderia ter-se tornado numa outra mulher. O stress do trânsito, o tráfego intenso das hora de ponta que já não se regem pelas entradas e saídas dos empregos, poderiam ter condicionado a sua forma de ser, levando-a à agitação, ao desespero e ao impropério desabrido.
Mas isso não aconteceu...porquê?
CONTINUA
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