sexta-feira, 2 de maio de 2014

 E, para criar um ditado novo: "não há seis sem sete"... já podem ler o  SÉTIMO CAPÍTULO ...

   Para Alex, habituada a ficar sossegada, no seu mundo estagnado e sem novidades, aquele sentimento completamente inusitado agigantava-se e  assustava-a. Assim, não era de estranhar que tivesse direito a  passar por todos clichés do estado amoroso: palpitações, um certo "friozinho" na barriga, momentos de ansiedade misturados com euforias súbitas e inexplicáveis, falta de sono, falta de apetite e tudo o mais que  possam associar ao momento em que nasce a paixão...ou em que pensam em tal emoção.
   Quanto a Ramiro, esse parecia firme no seu encantamento por Irene e na simpatia pela sua irmã.
   Ela,  nunca chegaremos a saber se de forma deliberada ou inconsciente, permanecia alheada das reais intenções do seu amigo.
  Este,  rapaz inteligente,  começou a perceber  como funcionava aquele jogo em que Irene se mantinha sempre em vantagem, pois o objeto adorado nutre-se do fascínio que o outro sente, e suga-lhe toda a energia até ficar completamente refém do amor.
  Certo dia, magnífico dia, descobriu a irmã e toda a atenção e admiração que esta lhe dispensava. Foi uma autêntica revelação. Então, passou a alimentar o amor de Alex, pois ela  era o mais próximo que podia ter de Irene: era sua irmã, partilhava o seu ADN, passava a saber o que aquela fazia, quais os seus projetos, o que  sentia. Enfim, Alex era a solução possível para atenuar a dor do seu amor não correspondido. E não se sentia minimamente incomodado por satisfazer esta forma de egoísmo.
   Sem dúvida, o amor é o sentimento mais contraditório e confuso que existe. Ramiro amava Irene, ou, pelo menos, pensava amá-la, mas contentava-se com o amor de Alex. Alex acreditava, ingenuamente, que o amor se alcança sem esforço e que tinha encontrado o seu amado. Irene ficava contente por ver o seu melhor amigo e a sua irmã a aproximarem-se e, quem sabe apaixonarem-se, pensava. É um  facto, o Homem tem uma propensão inequívoca para o erro, no que diz respeito ao seu lado sentimental. Tudo o que é do foro das emoções, dos afetos ou dos desejos deixa o ser humano tão baralhado e confuso, que começa desenhar castelos utópicos que o deixam em êxtase prazenteiro, mesmo que seja ilusório.
  E a história continua de forma previsível: começaram a sair a dois para jantar, ir ao cinema , tomar café, a rotina comum dos casais que começam a consolidar uma  relação. Rapidamente, vieram os elogios fáceis, os beijos, as carícias mais ou menos ousadas... mas nem uma palavra de compromisso, nem um sinal de namoro assumido perante os outros.
  Ramiro sentia-se bem nesta tipo de relação. E Alex? O que pensava e o que sentia em relação a esta mistura de namoro e amizade que não era  nem uma coisa nem outra?

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