Já sei o que esperam, querem saber o que vai acontecer entre Alex e Ramiro. VAMOS À SEXTA PARTE .
Ainda dizem que as pessoas não mudam. Pode ser verdade...em alguns casos.
Diz o senso comum que certos processos de sofrimento físico ou psicológico abalam as estruturas de ser humano que perde o rumo e a lucidez. Depois de tudo isto passar, as pessoas dizem-se transformadas e prontas para viver esta segunda oportunidade com outro fôlego.
Todavia, também não é sempre assim. De facto, apesar de algumas pensarem que se sentem renovadas, só têm forças para voltar à forma original! Um rio, por mais caudaloso ou agitado que seja, desagua sempre no mar, os pássaros repetem as mesmas rotas, todos os anos, sensivelmente, na mesma altura, ainda que um ou outro se perca do bando. Até a mãe natureza gosta de rotinas e de, sabiamente, repetir os seus movimentos.
Outras pessoas aproveitam o embalo do caos, agarram nessa energia em bruto e moldam-na em favor de uma nova criação, em forma de ressurreição.
Alexandra, neste momento Alex, pertence ao grupo dos que encetam grandes mudanças. Foi, então, o momento da sua rebeldia: resolveu mudar de vida. Como diz a canção:" Muda de vida, se não estás satisfeito" .
Confusos? Eu esclareço. No presente, já sabemos, Alexandra é uma mulher confiante e segura de si mesma, que sabe ler as pessoas e os acontecimentos, como forma de se esconder, atempadamente, das dores da vida. No passado não muito longínquo, Alex era conformada e quieta em relação ao que a rodeava, fossem pessoas ou acontecimentos. Porém, no dia em que conheceu quem era Ramiro, tudo isso mudou e sentiu-se impelida a tomar um atitude, fosse ela qual fosse.
Ramiro. O que dizer dele? Não há muito para dizer. Não tinha atributos especiais que o pudessem qualificar como atraente. Era um homem alto, magro, de olhar tímido e gestos vagarosos. e estava apaixonado por Irene, sem que esta suspeitasse, embora fosse óbvio para muitos daqueles que os conheciam. Ingenuamente, refugiava-se na ilusão de que ele era o único que sabia da sua paixão. Daí o à- vontade e o desejo atencioso ao falar com Alex, que interpretou aquela simpatia e atenção como uma forma de aproximação e interesse pela sua própria pessoa...
É engraçado o poder que um equívoco tem!
Passaram a encontrar-se mais vezes. O trabalho acabou, mas havia saídas de amigos com jantares, idas ao cinema, encontros no café e Alex continuou à espera, não do que a vida teria para lhe oferecer, mas sim do que ela própria viria a fazer, fazendo depender a atitude crucial, a da declaração do seu amor por Ramiro, de um gesto dele mais convincente para ela poder, finalmente, agir.
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